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Este espaço foi criado com o intuito de mostrar tudo aquilo que se passa na cabeça de um surfista. Desde pensamentos, frases, sentimentos e tudo aquilo que tá presente na vida de cada um de nós. A busca incessante do equilíbrio.
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:: Sábado, Julho 10, 2004 ::

OM - o mais poderoso dos mantras



ÔM é o símbolo universal do Yôga, para todo o mundo, todas as épocas e todos os ramos de Yôga. Entretanto, cada Escola adota um traçado particular que passa a ser seu emblema. Uns são mais corretos, outros menos; uns mais elegantes, outros nem tanto; e alguns são iniciáticos, outros, profanos. Isto pode ser percebido por um iniciado pela simples observação da caligrafia adotada, ou então prestando atenção no momento em que o símbolo é grafado.

Aquele desenho semelhante ao número 30 que aparece em quase todos os livros e entidades de Yôga é uma sílaba constituída por três letras: A, U e M (fonema AU + M). Pronuncia-se ÔM. Um erro comum aos que não conhecem Yôga é pronunciar as três letras "AUM". Traçado em caracteres é um yantra. Pronunciado, é um mantra. Há inúmeras maneiras de pronunciá-lo para se obter diferentes resultados físicos, energéticos, emocionais e outros.

Os caracteres usados para traçar o Ômkára parecem pertencer a um alfabeto ainda mais antigo que o dêvanágarí, utilizado para escrever o idioma sânscrito. Consultando um dicionário ou gramática de sânscrito, podemos notar que o alfabeto dêvanágarí é predominantemente retilíneo e que o próprio ÔM naquele alfabeto é escrito segundo essa tendência. Entretanto, saindo do domínio da gramática e da ortografia para o da filosofia, só encontramos o ÔM escrito de maneira diversa, com caracteres exclusivamente curvilíneos, o que demonstra sua identidade totalmente distinta. Isso também pode ser percebido na nossa medalha, a qual possui algumas inscrições em sânscrito, em torno do ÔM.

ÔM não tem tradução. Contudo, os hindus o consideram como o próprio nome do Absoluto, seu corpo sonoro, devido à sua antiguidade e amplo espectro de efeitos colhidos por quem o vocaliza de forma certa, ou o visualiza com um traçado correto.
Nas escrituras da Índia antiga o ÔM é considerado como o mais poderoso de todos os mantras. Os outros são considerados aspectos do ÔM e o ÔM é a matriz dos demais mantras. É denominado mátriká mantra, ou som matricial.

O ÔM é também o bíja-mantra do ájña chakra, isto é, o som-semente que desenvolve o centro de força situado entre as sobrancelhas, responsável pela meditação, intuição, inteligência, premonição e hiperestesia do pensamento. Por isso, é o mantra que produz melhores resultados para as práticas de dhyána e samyama, bem como desperta um bom número de siddhis.
Sendo o mantra mais completo e equilibrado, sua vocalização não apresenta nenhum perigo nem contra-indicação. É estimulante e ao mesmo tempo aquietante, pois consiste numa vibração sáttwica, que contém em si tamas e rajas sublimados.

Quando traçado em caracteres antigos, ele se torna um símbolo gráfico denominado yantra. A especialidade que estuda a ciência de traçar os símbolos denomina-se Yantra Yôga. O ÔM pode ser traçado de diversas formas. Cada maneira de grafá-lo encerra determinada classe de efeitos e de características ou tendências filosóficas.

Cada linha de Yôga adota um desenho típico do ÔM que tenha a ver com os seus objetivos, o qual passa a constituir símbolo seu. Por essa razão, não se deve utilizar o traçado adotado por uma outra Escola: por uma questão de ética e também para evitar choque de egrégoras.

Se você pratica Swásthya Yôga e identificou-se com o que exponho nesta coluna, sem dúvida você é dos nossos. Isso o autoriza a utilizar o nosso traçado do ÔM para concentrar-se e meditar, bem como a portar nossa medalha. Só não pode usar o ÔM antes da assinatura, como fazem os graduados e instrutores, enquanto não aprender a forma correta de traçar e enquanto não obtiver autorização do seu Mestre para incorporá-lo dessa maneira ao seu nome.

Ninguém pode negar que o ÔM seja um símbolo muito poderoso. Ele é forte pelo seu traçado yântrico em si, pela sua antiguidade, seus milhares de anos de impregnação no inconsciente coletivo, pelos bilhões de hindus que o usaram e veneraram, geração após geração, durante dezenas de séculos, desde muito antes de Cristo, antes de Buddha, antes de a civilização européia existir e, durante esse tempo todo, toda essa gente fortaleceu a egrégora do ÔM!

Evidentemente, portando um tal símbolo, estabelecemos sintonia com uma corrente de força, poder e energia que é uma das maiores, mais antigas e mais poderosas da Terra. Por isso, muita gente associa com a idéia de proteção o uso de uma medalha com o símbolo do ÔM. Embora sejamos obrigados a reconhecer certa classe de benefícios dessa ordem, achamos que tal não deve ser a justificativa para portar a medalha do ÔM (cujo foto está colocada abaixo), pois, agindo assim, ficaríamos susceptíveis de descambar para o misticismo, contra o qual a nossa linhagem de Yôga (Niríshwarasámkhya) é taxativa. Deve-se usá-la de forma descontraída e se nos dá prazer; se estamos identificados com o que ela significa e com a linhagem que representa. Não por superstição nem para auferir benefícios.


Por André Mafra - instrutor de yôga antigo

:: 5:46 PM ::

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Potencial maior



Basicamente, precisamos aprender a dar valor ao que realmente o tem, aquilo que nos conduza em direção a coisas verdadeiras, assentafas sobre sabedoria e bondade atemporais. Assim fazendo, compreenderemos que um instante de silêncio interior vale por milhares de tagarelar da mente, um instante de apreciação das coisas como realmente são, vale por anos de devaneio. Um momento de afeto desinteressado vale por toda uma vida de sentimentos confusos.

Nosso verdadeiro potencial é ilimitado. Se nos apegarmos a conhecimentos emprestados ou incompletos, ou nos restringirmos a perseguir objetivos menores, ou a cultivar sentimentos mesquinhos, estaremos abrindo mão do nosso potencial como seres humanos e desperdiçando a oportunidade que nos foi oferecida. Aqui e agora, nesta vida poderemos revelar a plenitude do nosso ser, acordar do sono da vida cotidiana, sair fora da banalidade, explorar o que temos de melhor. Contando com uma mente capaz de discriminar, tudo o que precisamos é buscar o conhecimento que é fruto da experiência. Os ensinamentos existem e estão disponíveis, numa corrente ininterrupta fora do tempo. A preciosidade da vida humana se revela na receptividade ao que é verdadeiro e na coragem de agir. O verdadeiro conhecimento sacode as bases da vida cotidiana e aponta além.

No entanto, independentemente de ensinamentos, dogmas ou mestres, o que percisamos cultivar são as qualidades básicas da nossa mente, como lucidez, clareza e compreensão. Aliado a isso, um sentimento de empatia por todos os seres, a vontade de ajudar, de ser útil. Dotados de uma mente clara e de um bom coração, nos tornaremos inofensivos e amorosos, tocando o mundo de leve sem a mínima interferência.

Esse é o momento, enquanto ainda sentimos os nossos pés tocando o solo da Terra, de buscar o significado de todas as coisas, de parar de fazer coisas sem importância, de abandonar o que não é são, de não mais cultivar sentimentos menores que nos levam simplesmente de um dia a outro, numa repetição interminável de emoções e estados de ânimo, alegrias e frustações, esperanças e medos. Entrementes, o nosso maior temor deveria ser o de perder o abstrato ou o nosso potencial maior.

:: 3:51 PM ::

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:: Sexta-feira, Julho 09, 2004 ::

Pense nisso...

João era um importante empresário. Morava em um apartamento de cobertura, na zona nobre da cidade. Naquele dia, João deu um longo beijo em sua amada e fez em silêncio a sua oração matinal de agradecimento a Deus pela sua vida, seu trabalho e suas realizações. Após tomar café com a esposa e os filhos, João levou-os ao colégio e se dirigiu a uma de suas empresas. Chegando lá, cumprimentou com um sorriso os funcionários, inclusive Dona Tereza, a faxineira. Tinha ele inúmeros contratos para assinar, decisões a tomar, reuniões com vários departamentos da empresa, contatos com fornecedores e clientes, mas a primeira coisa que disse para sua secretária foi: "Calma, fazer uma coisa de cada vez, sem stress". Ao chegar a hora do almoço, ele foi para casa curtir a família. A tarde tomou conhecimento que o faturamento do mês superou os objetivos e mandou anunciar que todos os funcionários teriam gratificações salariais no mês seguinte. Apesar da sua calma, ou talvez, por causa dela, conseguiu resolver tudo que estava agendado para aquele dia. Como já era sexta-feira, João foi ao supermercado, voltou para casa, saiu com a família para jantar e depois foi dar uma palestra para estudantes, sobre motivação para vencer na vida.

Enquanto isso, em bairro mais pobre de outra capital, vive Mário. Como fazia em todas as sextas-feiras, Mário foi para o bar jogar sinuca e beber com amigos. Já chegou lá nervoso, pois estava desempregado. Um amigo seu tinha lhe oferecido uma vaga em sua oficina como auxiliar de mecânico, mas ele recusou, alegando não gostar do tipo de trabalho. Mário não tinha filhos e estava também sem uma companheira, pois sua terceira mulher, partiu dias antes, dizendo que estava cansada de ser espancada e de viver com um inútil. Ele estava morando de favor, num quarto imundo no porão de uma casa. Naquele dia, Mário bebeu mais algumas, jogou, bebeu, jogou e bebeu até o dono do bar pedir para ele ir embora. Ele pediu para pendurar a sua conta, mas seu crédito havia acabado, então armou uma tremenda confusão... e o dono do bar o colocou para fora. Sentado na calçada, Mário chorava pensando no que havia se tornado sua vida, quando seu único amigo, o mecânico, apareceu após levá-lo para casa e curando um pouco o porre, ele Perguntou a Mário: "Diga-me por favor, o que fez com que você chegasse até o fundo do poço desta maneira?" Mário então desabafou: A minha família... Meu pai foi um péssimo exemplo, Ele bebia, batia em minha mãe, não parava em emprego nenhum. Tínhamos uma vida miserável. Quando minha mãe morreu doente, por falta de condições, eu saí de casa, revoltado com a vida e com o mundo. Tinha um irmão gêmeo, que também saiu de casa no mesmo dia, mas foi para um rumo diferente, nunca mais o vi. Deve estar vivendo desta mesma forma".

Enquanto isso, na outra capital, João terminava sua palestra para estudantes. Já estava se despedindo quando um aluno ergueu o braço e lhe fez a seguinte pergunta: "Diga-me por favor, o que fez com que o senhor chegasse até onde está hoje, um grande empresário e um grande ser humano?" João emocionado, respondeu: "A minha família. Meu pai foi um péssimo exemplo. Ele bebia, batia em minha mãe, não parava em emprego nenhum. Tínhamos uma vida miserável. Quando minha mãe morreu, por falta de condições, eu saí de casa, decidido que não seria aquela vida que queria para mim e minha futura família. Tinha um irmão gêmeo, que também saiu de casa no mesmo dia, mas foi para um rumo diferente, nunca mais o vi. Deve estar vivendo desta mesma forma".

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O que aconteceu com você até agora, não é o que vai definir o seu futuro, e sim a maneira como você vaireagir a tudo que aconteceu. Sua vida pode ser diferente, não se lamente pelo passado, construa você mesmo o seu futuro. Encare tudo como uma lição de vida, aprenda com seus erros e até mesmo com o erro dos outros. O que aconteceu é o menos importante. O que realmente importa é o que você vai fazer para acontecer o melhor em sua vida.

Pense nisso...


Texto me enviado por e-mail por um grande amigo...

:: 7:17 PM ::

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:: Quinta-feira, Julho 08, 2004 ::



'Quando eu morrer voltarei para buscar
Os instantes que não vivi junto do mar'


Sophia de Mello Breyner Andresen - ( 1919 - 2004 )

Uma beleza resplandecente que paradoxalmente parecia simétrica à das suas palavras. Onde as fotografias revelavam distância, as palavras que juntava como, não será exagerado dizer, ninguém, surgiam leves como que a espelhar as coisas simples e próximas. É por isso que o que hoje guardo da sua imagem é precisamente a junção dessas duas belezas - a face duma brancura fria e as palavras duma singeleza destilada - numa poesia que era feita sem "vestígios de impureza". Aliás, era a própria Sophia que dizia, "sempre me espantou a beleza das coisas. Sempre me maravilhou, me ajudou a viver. A beleza não é um adorno, é um elemento fundamental da vida e uma necessidade fundamental."

O aspecto distintivo da obra de Sophia foi a capacidade ímpar de escrever sobre o essencial - o brilho das coisas lá fora, as manhãs, as praias e o mar - e, acima de tudo, a capacidade para o fazer com palavras simples, que aparentavam não serem pensadas. Mas por detrás dessa simplicidade elementar escondiam-se termos adultos, emancipados de uma visão cerebral da realidade. E, na literatura como no resto, há poucos exercícios mais difíceis do que simplificar o que é, em si, complexo. Destilada, parece-me ser este o termo exato para descrever a poesia de Sophia. Uma poesia do essencial, da simplicidade e da economia das palavras.

Sophia não fazia surf e provavelmente nunca viveu a admiração absoluta do deslizar em paredes de água, numa energia perfeita que nos traz do mar à terra com uma satisfação indescritível. Mas eu olho para a sua poesia e, para além de tudo o resto, vejo-a sempre como uma metáfora perfeita das ondas no mar e do prazer do surf - que não é comparável com nenhum outro. Quando regressado daquele fim de tarde de surf perfeito ali nos Areais, entre a Ribeira Grande e Rabo de Peixe, apenas com um dos bons amigos, soube da notícia da morte de Sophia, não pude deixar de fixar nas imagens que ainda trazia frescas e claras os mesmíssimos puro espaço e lúcida unidade que estão em todos os lugares da sua obra.

"Quando eu morrer voltarei para buscar os instantes que não vivi junto ao mar", escreveu um dia Sophia. A mim, a sua beleza pura serve-me também para suportar os momentos que não vivo junto ao mar e em que não posso usufruir da "felicidade máxima de tomar banho entre os rochedos". Nas ondas do mar. A poesia não muda o mundo, nem muito menos faz de nós pessoas melhores. Serve apenas para nos ajudar a viver. E isso, como as ondas que apanhamos no surf, é tudo.

O texto acima foi tirado do site A Capital.

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Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu no Porto em 6 de Novembro de 1919. Foi nessa cidade e na Praia da Granja que passou a sua infância e juventude. Freqüentou Filologia Clássica na Universidade de Lisboa, mas não chegou a terminar o curso. Foi casada com o jornalista Francisco Sousa Tavares e mãe de cinco filhos, que a motivaram a escrever contos infantis. Motivos concretos e símbolos excepcionais para cantar o amor e o trágico da vida foi-os buscar ao mar e aos pinhais que contemplou na Praia da Granja; com a sua formação helenística, encontrou evocações do passado para sugerir transformações do futuro; pela sua constante atenção aos problemas do homem e do mundo, criou uma literatura de empenhamento social e político, de compromisso com o seu tempo e de denúncia da injustiça e da opressão. Foi agraciada com o Premio Camões em 1999.

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Um dia

Um dia, gastos, voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais.

O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados irreais
E há-de voltar aos nosso membros lassos
A leve rapidez dos animais.

Só então poderemos caminhar
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais na voz do mar
E em nós germinará a sua fala.


Sophia de Mello Breyner

:: 9:08 PM ::

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:: Quarta-feira, Julho 07, 2004 ::

O único grande mistério é a diferença sexual

Por Arnaldo Jabor

Está rolando na internet um texto ridículo sobre "mulheres" atribuído a mim. Sou uma besta, todos o sabem; mas não chego a esse relincho lamentável do asno que o escreveu. Diz coisas como: "A mulher tem um cheirinho gostoso, elas sempre encontram um lugarzinho em nosso ombro..." Uma bosta, atribuída a mim. Toda hora um idiota me copia e joga na rede. Por isso, vou falar um pouco de mulher, eu que mal as entendo na vida. Não falarei das coxas e seios e bumbuns... Falo de uma aura mais fluida que as percorre.

Gosto do olhar de onça, parado, quando queremos seduzi-las, mesmo sinceramente, pois elas sabem que a sinceridade é volúvel, não perdura. Um sorriso de descrédito lhes baila na boca quando lhe fazemos galanteios, mas acreditam assim mesmo, porque elas querem ser amadas, muito mais que desejadas. Elas estão sempre fora da vida social, mesmo quando estão dentro. Podem ser as maiores executivas, mas seu corpo lateja sob o tailleur e lá dentro os órgãos estranham a estatística e o negócio. Elas querem ser vestidas pelo amor. O amor para elas é um lugar onde se sentem seguras, protegidas.

O termômetro das mulheres é: "Estou sendo amada ou não? Esse bocejo, seu rosto entediado... será que ele me ama ainda?" A mulher não acredita em nosso amor. Quando tem certeza dele, pára de nos amar. A mulher precisa do homem impalpável, impossível. As mulheres têm uma queda pelo canalha. O canalha é mais amado que o bonzinho. Ela sofre com o canalha, mas isso a justifica e engrandece, pois ela tem uma missão amorosa: quer que o homem a entenda, mas isso está fora de nosso alcance. A mulher pensa por metáforas. O homem, por metonímias. Entenderam? Claro que não. Digo melhor, a mulher compõe quadros mentais que se montam em um conjunto simbólico sem fim, como a arte. O homem quer princípio, meio e fim. Não estou falando da mulher sociológica, nem contemporânea, nem política. Falo de um sétimo órgão que todas têm, de um ¿ponto g¿ da alma.

Mulher não tem critério; pode amar a vida toda um vagabundo que não merece ou deixar de amar instantaneamente um sujeito devoto. Nada mais terrível que a mulher que cessa de te amar. Você vira um corpo sem órgãos, você vira também uma mulher abandonada.

Toda mulher é "Bovary"... e para serem amadas, instilam medo no coração do homem... Carinhosas, mas com perigo no ar. A carinhosa total entedia os machos... ficam claustrofóbicos. O homem só ama profundamente no ciúme. Só o corno conhece o verdadeiro amor. Mas, curioso, a mulher nunca é corna, mesmo abandonada, humilhada, não é corna. O homem corneado, carente, é feio de ver. A mulher enganada ganha ares de heroína, quase uma santidade. É uma fúria de Deus, é uma vingadora, é até suicida. Mas nunca corna. O homem corno é um palhaço. Ninguém tem pena do corno. O ridículo do corno é que ele achava que a possuía. A mulher sabe que não tem nada, ela sabe que é um processo de manutenção permanente. O homem só vira homem quando é corneado. A mulher não vira nada nunca. Nem nunca é corneada... pois está sempre se sentindo assim... Como no homossexualismo: a lésbica não é veado.

A mulher é poesia. O homem é prosa. Isso não quer dizer que mulher seja do bem e o homem, do mal. Não. Muita vez, seus abismos são venenosos, seu mistério nos mata. A mulher quer ser possuída, mas não só no sexo, tipo ¿me come todinha¿. Falam isso no motel, para nos animar. O homem é pornográfico; a mulher é amorosa. A pornografia é só para homens. A mulher quer ser possuída em sua abstração, em sua geografia mutante, a mulher quer ser descoberta pelo homem para ela se conhecer. Ela é uma paisagem que quer ser decifrada pelas mãos e bocas dos exploradores. Ela não sabe quem é. Mas elas também não querem ser opacas, obscuras. Querem descobrir a beleza que cabe a nós revelar-lhes. As mulheres não sabem o que querem; o homem acha que sabe. O masculino é certo; o feminino é insolúvel. O homem é espiritual e a mulher é corporal. A mulher é metafísica; homem é engenharia. A mulher deseja o impossível; desejar o impossível é sua grande beleza. Ela vive buscando atingir a plenitude e essa luta contra o vazio justifica sua missão de entrega. Mesmo que essa "plenitude" seja um living bem decorado ou o perfeito funcionamento do lar. O amor exige coragem. E o homem... é mais covarde. O homem, quando conquista, acha que não tem mais de se esforçar e aí, dança...

A mulher é muito mais exilada das certezas da vida que o homem. Ela é mais profunda que nós. Ela vive mais desamparada e, no entanto, mais segura. A vida e a morte saem de seu ventre. Ela faz parte do grande mistério que nós vemos de fora, com o pauzinho inerme. Ela tem algo de essencial, tem algo a ver com as galáxias. Nós somos um apêndice.

Hoje em dia, as mulheres foram expulsas de seus ninhos de procriação, de sua sexualidade passiva, expectante, e jogadas na obrigação do sexo ativo e masculino. A supergostosa é homem. É um travesti ao contrário. Alguns dizem que os homens erigiram seus poderes e instituições apenas para contrariar os poderes originais bem superiores da mulher

As mulheres sofrem mais com o mal do mundo. Carregam o fardo da dor histórica e social, por serem mais sensíveis e mais fracas. Os homens, por serem fálicos, escamoteiam a depressão e a consciência da morte com obsessões bélicas, financeiras ou políticas. As mulheres agüentam firmes a dor incompreendida. O mundo está tão indeterminado que está ficando feminino, como uma mulher perdida: nunca está onde pensa estar. O mundo determinista se fracionou globalmente, como a mulher. Mas não é o mundo delicado, romântico e fértil da mulher; é um mundo feminino comandado por homens boçais. Talvez seja melhor dizer um mundo-travesti. O mundo hoje é travesti.

:: 8:41 PM ::

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:: Segunda-feira, Julho 05, 2004 ::

VIDA PRIVADA



Considerado luxo no começo do século XX, o vaso sanitário atravessou o tempo e ganhou status de trono. Para enaltecer esse local de reflexão e paz, deixa teu comentário lá. Não precisa ter vergonha.

Dois famosos tem sua visão:

"Adoro minha vida lá na provada. Lá, penso, dou um tempo, converso com meu filho e agrado meu gato. Também adoro ver meu namorado fazendo xixi."

Alessandra Negrini, atriz

"Meu vaso é imediato colaborador. Sem ele, não teria vida. Nem trato. É o grande pronto-socorro da barriga alvoroçada."

Pedro de Lara, eterno jurado

:: 4:59 PM ::

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Entrevista com um neurônio

A maconha pode matar você? O THC tumultua seu trabalho?

Graças a Deus, nunca presenciei nehuma baixa. Não está comprovado que maconha queime neurônios mas é verdade que o THC bagunça nossa comunicação. Os chamados "canabinóides" reagem conosco, deixando nossas substâncias conhecidas como "receptores" meio lesados.

E a memória é afetada?

Também não está confirmado que o THC destrua a capacidade de memória de nosso amo definitivamente. Mas não convém abusar.

Em quantos vocês são?

Algo entre 10 e 100 bilhões. Tudo o que a pessoa vê, ouve, sente, aprende e percebe é com a gente. Somos muito disciplinados e trabalhadores, mas também gostamos de uma festinha pra relaxar de vez em quando. Neurose demais não é com a gente.

:: 4:53 PM ::

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